| |
Uma verdadeira bomba relógio
Sentimentos refletidos em nossos primeiros beijo e abraço. Movimentos condicionados de nossos corpos em resposta a um estímulo até então despercebido. Gestalt? Reviram-se no caixão Kurt Kofka e seus amigos, muito antes previam o fato sem levá-lo a tão longínquas percepções. Fato é que me perdi em teus braços. Apaguei os olhos quando meus pulmões inflaram teu cheiro. Meus lábios colados aos teus ouvidos perderam a chance de, em três ou quatro palavras, definirem o destino daquela noite ou o destino de nossas vidas. Mas assim não foi. E cá estamos, e ainda estamos... E te espero, porque desde que senti teus lábios rossarem meu rosto, só por um pequeno toque, descobri que eu os queria juntos aos meus uma noite toda, uma vida toda, não sei, mas eu os queria. Percebi que sou o intercâmbio entre o que eu era e o que eu preciso, mas preciso, preciso de você para findar o curso. Ainda que o relógio não me seja favorável, transformarei a ansiedade dos ponteiros em bomba-relógio para explodir de vez este amor que tu teimas em guardar para ti. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 22h26
[]
[link]
Mente estreita
Sob o prisma de março, vejo um dezembro tão próximo como o último janeiro. Feroz é o tempo que propaga seus tentáculos sobre coisas que ainda nem vivemos. Lógica quântica de momentos medrosos. Não fui capaz de segurar o dia em que a noite fechou sobre mim, uma coberta com seu cheiro. Medo algoz de um sentimento pueril. Minha idade é injusta frente ao pouco que vivi. Resolvi crescer quando o relógio saltou de minha puberdade para hoje de manhã. Senti falta do café cheiroso de meu pai e do afago carinhoso de minha mãe. Atentei-me para o fato de que viver só e longe, torna os ponteiros muito mais astutos e fulgazes. Amordaçado pelo tempo sinto o vento bater-me a fronte relembrando as noites que não vivi, julgando cedo a demora de meus atos. "O tempo não para" na voz de Cazuza e nas atitudes daquela menina, que achei que era minha. Mas nossos tempos são os mesmos e ela não fez questão de esperar. Eu sei que eu valio a pena, mas dá pena...Pensamentos corretos enclausurados em uma mente estreita. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 21h36
[]
[link]
Encontro de si em loucuras a esmo
Faces de um crime, fases da lua, monofásico, que fase! Face ao perigo iminente, frente à lógica incoerente em fase terminal de fato aparente. O que eu quero dizer? O que você pensou que fosse? Segue seu caminho como se não houvesse outra vez. Chances de um dia perfeito ou um trato fechado para uma noite sem fim? Quem define o prólogo, encaixa-se no sumário sem epílogo algum. Notas decrescentes em provas mais fáceis fazem impossíveis caminhos de um retrocesso programado. Programe o dia das mães, enforque o Tiradentes mas não dance na chuva até que finde a quaresma. Identifique-se na saída pois a entrada é franca, mas só monte o presépio se no fim de tudo você identificar que em algum pedaço dessas linhas você encontrou o seu lugar ou um singelo pretexto. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 22h22
[]
[link]
Palavras ao fogo
O aperto inicial da ponta da caneta, revela a força desproporcional evidenciada nas primeiras letras dispostas. O papel mostra um vale e um excesso de tinta subordinada a esta. Rio e vale sob palavras distribuídas em terreno fértil para o despejar de emoções promovidas pelas mais diversas provocações da alma humana. A mão que força o instrumento que relata, pode ser a mesma que sustenta a arma que exaure. Ou essa força pode ser apenas a gravidade do cansaço dos dias sobre mãos torturadas pela expressão de suas verdades. Mas, o que pensar sobre um texto que não termina? Uma confissão não assinada ou um grito sufocado? A única certeza é que a última letra fora tão forçosa quanto às primeiras, que foram as últimas consumidas pelo fogo na fogueira do esquecimento. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 22h56
[]
[link]
Só você e eu
Passo o dia todo esperando a noite chegar. Com ela vêm os alísios que o mar sopra trazendo as juras de amor que ontem roguei aos ventos. Tua foto carrego no subconsciente de meus dias. Dormi acordado sonhando com cada traço de teu corpo e percebendo o ângulo dos ponteiros do relógio que separam nossa hora de estarmos juntos. Segundos eternos explicitados pela relatividade de Einstein. Das coisas que pensei pra hoje, esqueci-as todas na busca indelével de expulsar minha ansiedade, e resolvi então, que o momento seria juiz de nossos atos quando for o que tiver que ser. Afinal abaixo da lua dos amantes e acima de qualquer perspectiva mínima que seja, tudo na terra somos só você e eu ... Até a linha tênue que separa nossos corpos do infinito absoluto, tudo a nossa volta é vácuo, porque o que interessa nesse momento sublime, somos só você e eu ... Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 22h40
[]
[link]
Testemunhas de amor eterno
Quem me dera tê-la visto na multidão do anonimato dos dias, dentre várias personalidades distintas e belezas tantas quanto. Ouviria dos pássaros, a mesma melodia imperceptível de momentos a esmo do cotidiano desprezível dos ponteiros do relógio. Continuaria sonhando com acasos fortuitos ou sortilégios questionáveis e acordaria várias vezes durante a noite tentando lembrar o que realmente vivi. Mas não, identifiquei você dentre fotos intermináveis de beleza de igual adjetivo; fotografo na mente olhares perfeitos cujo efeito direto é scannear meus pensamentos mais recôndidos e que me ruboressem a cada intento. Escuto melodias de pássaros como se árias de Beethoven no momento em que adormeço. Os súbitos despertares nos sonhos contínuos, trazem a certeza de sua imagem e a certeza ainda maior de minha paixão. Fechar os olhos, em qualquer momento, é vê-los aproximando dos meus num harmônico fechar dos mesmos e sentir que seus lábios são tão doces quanto à inadvertida maneira de fazer-me infinitamente feliz enquanto dura este toque fotografado pela lua cheia do momento, e presenciado pelas estrelas brilhantes que são testemunhas de amor eterno. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 22h17
[]
[link]
Águas que correm
Como um fio d'água que escorre montanha abaixo, driblando as pedras e obstáculos do caminho, nutrindo as vegetações que circundam o monte, a lágrima desce. Ainda que um tanto salobra, ela desce. Escorre da altura dos olhos e contorna os defeitos e os poros da pele, mas não atinge grande distância. O ar é mais seco do que a possibilidade dela tornar-se mais excessiva e fluida e acaba por evaporar-se mais rapidamente do que o motivo que lhe trouxe a tona. Em ambos os casos a capacidade de renovar-se é a mesma. Salobra ou água pura, cada uma tem sua gênese e sua renovação. A água dos picos volta para a fonte com a experiência adquirida no passeio pelos montes, mares e chuva. A lágrima surge do investimento em ações boas e ruins, ambas refletem nela seus resultados futuros, sempre a mercê do mercado que a rege. Mas a roda gigantesca da vida não para de girar, e os motivos para novos investimentos são tantos quanto a capacidade magnífica que temos de suportá-los. Uma vez investi no meu coração. Meu grito foi mais forte do que a música que tocava nos bares a volta, e teus pés foram tão rápidos quanto os meus quando corremos um em direção ao outro. E, enquanto a chuva caía e nos molhava abundantemente, a lágrima escorria de nossos olhos, e a água limpa e a salobra se misturavam aos nossos soluços. "Eu te amo" foi o último grito ouvido nos escombros da noite chuvosa, e nossos lábios foram o limiar do início e fim do maior investimento de nossas vidas: nós dois. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 19h23
[]
[link]
Botequins
Já aparece o fundo do copo enquanto derrama alguns mililitros de porção etílica garganta abaixo. O fundo traz o reflexo dilacerado de um rosto cansado das mordidas do tempo que esse vício acelera no envelhecimento do que sobra. Reflexo em lente de aumento. Linhas do tempo ainda mais intensificadas e notórias que o desprazer do impacto evolui para outra rodada. Moléculas sintetizadas sobre cana-de-açúcar destilada, em reação quimica com esse aglomerado de células, bactérias e fungos, formando a brasa quente, incendiada pelo oxigênio respirado de maneira profunda e cansada. Põe fogo em todas as vias do corpo, incinerando neurônios cujos impulsos não enxergam o outro lado da sinapse, e mergulham sob total desconhecimento e vazão contínua. Vazão esta que a urina se encarrega de empurrar esgoto abaixo. O mesmo lugar onde você pode estar algum tempo mais adiante mergulhado até o ultimo fio de cabelo, regado pelos mesmos colegas que antes dividiam espaço com seus cotovelos nas mesmas mesas grudentas dos botequins da sua vida. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 00h09
[]
[link]
Longe de tudo e ainda mais perto de nós
Olhos flamejantes fixam pontos díspares de uma tela de computador velha no purao de um lugar qualquer - a esmo - perto de tudo que é longe demais para um subtefúrgio de liberdade. Os alísios que entram por entre as frestas da velha porta de madeira pesada, repleta de cupins cujo intento não se faz resultado, adicionam ainda mais poeira àquele velho canto do mundo onde algumas decisões são tomadas mediante meros toques nas teclas do velho AT, e comandos rasos em rádios que se achavam erradicados pela guerra segunda. De quando em quando o monitor, já tomado pelo desgaste do tempo e ranhuras da vivência, troca suas cores de apresentação fazendo do digitador um insólito camaleão robotizado pela repetição de ações e movimentos. As caixas de bateria de automóvel, impilham-se pelas paredes irregulares do rochedo. O bater na porta é como sirene aos ouvidos do cabo que de pronto se faz presente à porta aberta e, lança à cabeça, a mão direita em continência ao velho soldado de maior escalão. A conversa foi curta mas prontamente entendida. Lá fora um barulho de pneus ardentes de um jeep que abandonara o local abruptamente, e lá dentro, um comando codificado no velho rádio amador e uma combinaçao de teclas que fizeram o homem estalar os dedos como se convicto da maior ação de sua vida. Algumas horas depois, o próprio rádio trazia notícias de prédios que desmoronavam no centro de Nova York, e noutra frequência, a rádio Aljazira dava ouvidos ao homem que se intitulava senhor do crime. Cheio de sorrisos e poucos dentes, o homem se levantava, abandonava seu posto e caminhava no deserto. Para trás somente o forte estrondo e uma velha caverna pegando fogo jorrando aos ventos emoluentes de fétidos odores e escolhas sombrias. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 02h09
[]
[link]
Mente fechada
Pensamentos vazios em noite de lua cheia, é prenúncio de ocorrências levianas sobre algo desconhecido, inflando paranoias perpetuadas pelo efeito dos ilícitos. Vãs expectativas assombradas pelo curto prazo do efeito. Não acharia a felicidade dentro de uma garrafa de vodka, mas a desculpa do delito se esconde nos arrependimentos da época em que a sanidade lhe era peculiar e suas atitudes não terminavam em noites mal dormidas. Facilitaria o fato de seu discernimento ser tão eficiente quanto ao de um velho paraplégico fruto do desastre de Chernobyl? Muito pouco provável. Some-se a isso a cólera advinda do amor despedaçado, passado, presente ainda em sua mente, doente, infelizmente, fechada. Aberta ainda a esses devaneios de agora, divertindo-se com risadas absurdas e dançando loucuras sobre cacos de vidro quebrado das mesmas garrafas que havia secado. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 14h36
[]
[link]
Guardiões brancos de um corpo sem espaço
Advogado do diabo eu fui. Impetrei contra mim mesmo todos os adjetivos nefastos que jorraram contra ti, defendendo-a de si mesma como se isso me auferisse algum tipo de reciprocidade positiva garantida. Tolo eu fui. Eu sou. Na verdade eu era. De advogado eu estou tão mais distante quanto do diabo que nunca vi e o desprazer do fato não atrai este corpo sadio quanto às coisas do invisível. Invisível eu sou. Parte pela ausência de mim mesmo, fruto da inexperiência dos acasos da ousadia de amores inalcançados. A outra parte eu ainda não descobri em que ponto me fere, mas fere. Carregar chagas de decisões reprováveis nunca foi um fardo que suportei nesta vida; meu sangue coagula antes mesmo que a primeira gota enxergue o lado de fora da veia que o nutre. Se você era algo que circulava dentro de mim, em meu coração, já foi bombeada para o resto do corpo e coagulou antes mesmo de ser livre, e quando o foi, saiu na forma de pus, expelida, jogada pra fora pelos meus guardiões brancos, corpo estranho que sempre foras dentro de um espaço que não te cabias. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 23h09
[]
[link]
Energias e suas nuances
Um choque de ondas, no mar ou nas linhas de rádio, duas bolhas formadas numa taça de champagne, tocam-se e a energia formada é bem maior que a vã percepção auricular pudesse torná-la mais nobre, porém os íons envolvidos nas rupturas das moléculas envolvidas, se pudessem, prefeririam continuar sendo bolhas, água ou vento. Explode em si na esperança de que a expansão de seus resíduos signifique a vivência na eternidade. Como o espaço. Reduzidas a qualquer ponto mínimo desses que acontecem ao tempo todo a nossa volta. Já imaginou a teoria do "big bang" aplicada a todos esses detalhes? Da impercepção em que esses elétrons desprendidos da última camada de ligação com o centro de seus átomos, em constante busca do melhor de todos eles e todos nós juntos caminhando em constante desprendimento e expansão para tudo o que há de melhor em todos nós. Fazer-me-ia mais crédulo de que algo superior nos governa como um grande centro de energia, controlando nosso tempo e espaço e nos unindo todos para o mesmo fim. Assim, as moléculas e seus agregados que partem comigo agora, não serão as mesmas que partirão com um recém nascido desta geração e assim por diante num movimento constante e harmônico num eterno ciclo de repetições pré-definidas. Ainda bem que fazemos parte da mesma turma, dessa mesma geração, quando nossos lábios se tocarem as ondas que emanarem desse feito, grandes ou pequenas, velozes ou lentas, sabemos que nos levarão juntos ao mesmo lugar, o qual todos um dia esperam chegar. Um lugar qualquer que se chame Paraíso e que a infinitude nos aguarde mesmo com toda a volatibilidade dos átomos que o formaram. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 17h15
[]
[link]
Desperdício
Deperdiça teu tempo em goles de tequila, em vozes altas e cadeiras espalhadas pelo piso pegajoso dos bares que frequenta, mas não desperdices o meu com a flatulência fúnebre de teus pensamentos mesquinhos! Pode imaginar-te como um centro de massa intangível no Universo, onde os corpos - por mais que evitem - são levados a ti, mas saiba que o fazem porque a gravidade é bem maior que suas capacidades provisórias de próprio desejo, e, no fim das contas, tu nada mais serás do que um imenso buraco negro. Vazia. Vácuo de pensamentos mergulhados em sinapses alargadas pelo efeito etílico e noites mal dormidas. Enormes textos do professor Mamede vomitados na latrina de suas escolhas. Parafraseando Joelmir Beting, "seria cômico se não fosse trágico". Desperdício nunca foi sinônimo de algo bom. Faze teus dias valerem a pena. Aprende uma coisa nova a cada dia. Esvaia-te pelos corredores do campus. Faze planos para agora. Esconde-te atrás de uma árvore esperando teu amor passar, mas não escondas a verdade de ti mesma. Poucas são as verdades do dia-a-dia, escolhe-as e aproveita-as com critério. Tua colega de república talvez não pense mais do que uma vez em fazer-se feliz mesmo que te custe fatia grande de respeito. Respeito não se vende nos bares. Isso é fato. Nós somos a verdade mais próxima no momento, não disperdices isso com bobagens! Não desperdices o teu tempo com o meu tempo. Doravante, o risco de me apontares o dedo no vazio, pode influenciar os olhos desavisados do garçon a trazer mais uma rodada de bebidas, enquanto tua vida passa em 'frames' num karaokê escondido no fundo do bar, despejando letras angustiadas em melodias amiúde... Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 23h12
[]
[link]
"Todo carnaval tem seu fim"
As tentações dos rostos de outrora, ainda navegam nesta mente inerte. Culpa das drogas que o tempo sempre carregou consigo. Drogaria era sinônimo de minha casa, de meu corpo, do meu existir. Mas os rostos permanecem. Imagens de lágrimas devotadas aos sentimentos a mim revelados, sorrisos demasiados que meus lábios sempre buscaram acompanhar, mesmo blindados por um exemplar amarelo e sem graça. Já nem faço mais as estripolias do menino-adulto. Vejo idiotice em todos os lados e em todas essas banalidades que as pessoas buscam extravasar como se pensassem que somos surdos ou cegos, ou até mesmo burros de achar que aquilo tudo é vertente aproximada do etílico. "Todo carnaval tem seu fim". Hoje pierrot, amanhã alecrim, e a columbina nas mãos de um outro, que só entrou na história porque o reflexo dos meus dedos foram mais rápidos do que o acesso a mente. Deve ser a falta da cafeína no sangue. Os vasos de maior vasão deram espaço aos coágulos de estupidez. Pensar, pensar e pensar. Antes não o fizesse, seria mais feliz. No próximo cruzamento nem direita e nem esquerda, vou direto no meio. No meio da linha tênue que separa minha mente de meu orgulho; orgulho de bêbado é chamar de amigo todos os que o tripudiam e ainda assim, suas lembranças serão substrato para uma nova dose reivindicada àquela panelinha de garotos podres com estasy preso até o ultimo fio de cabelo de seus corpos. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 23h16
[]
[link]
Mentes sujas em pratos limpos
Em pratos limpos, alimentos sujos caem de bocas imundas, e só por isso há preocupaçao em limpá-los. O reflexo da cara mal lavada é mais suja que qualquer ponto de matéria que se queira varrer do espaço amostral, em detrimento de suas piores cavagestagens que, não figuram em suspenso no reflexo inerte de tua face medíocre, mas no cerne dos músculos de teu corpo onde hão de permanecer como um helminto que vive de fluxos de sua energia que ele repõe através da sordidez de suas atitudes demolidoras do seu caráter. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 23h52
[]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|