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Glória
Dos males o menor...Pensei ter alcançado a glória, quando na verdade passei perto de ter sido razoável. Mas quem em sã consciência haveria de querer uma glória tão chagada pelas rasuras da história contada meio a escombros estilhaçados pelos ventos que saem da boca do maldito? Sou filho homem de um punhado de quatro nascituros, de gerações diferentes e idéias igualmente distantes, mas a união sempre foi preponderante em nossas vidas. Lá se vão pouco mais de trinta anos bem vividos. Vivi amores, perdi muitos deles, salvei alguns e me abstive de outros tantos. Mas, é a vida que segue e é com ela que eu vou, às vezes nas mesmas passadas e outras tantas meio que driblando suas curvas; eu procuro seguir em frente. Levo no peito o amor da minha família, e a família de amores que tenho. Desde os amigos mais antigos, até meu novo amor de amiga, minha primeiríssima amiga mulher, Nath, que eu amo muito e está comigo sempre, onde quer que este corpo esteja. Tenho a Deby, a estrangeira que lá dos EUA cravou sua bandeira aqui neste mesmo coração que escreve. E ainda ganhei uma nova maninha, a Nay, que o tempo não quis que fosse gerada no mesmo útero que eu fui, mas de onde estava já trazia consigo a informação genética que precisava para que nos encontrássemos um dia. E eu, tolo, com a riqueza nas próprias mãos, ou melhor, dentro do próprio peito, esperando essa tal glória vir justificar sua torpe definição. Uma definição pálida sobre algo comum inventada por burgueses sujos pela mesma imundície que suas botas pisoteavam, invejosos de mimos mesquinhos como um dente de ouro, quando na verdade não conseguiam nem mesmo sorrir! Vou seguindo eu, banguela se preciso for, mas feliz por ter completado todos os rituais sagrados das velhas e das novas escrituras, das cristãs e das agnósticas, dos velhos sábios e dos novos gênios, mas sempre convicto da história que eu mesmo escrevi, e que tento, ao menos uma vez por semana, dividi-la um pouco com todos vocês. Obrigado.
Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 14h34
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O tempo e o vento
Com as mãos dadas e apoiadas atrás da cabeça, olho para o relógio de parede como quem olha para a verdade cruel que o tempo denota. Os seus ponteiros formam um compaço como se dissessem que o ângulo entre o presente e o futuro, cada vez se exigue mais. Pobre ser humano refém das intempéries dos erros não programados! Os cupidos de ontem, de certo também foram flechados pelos ponteiros do tempo , sacrificando seus serviços de outrora e envelhecendo perante os amores de agora. Mas o anjo da esperança aparece e traz consigo a arpa empoeirada pelos melhores momentos do passado e, mesmo um tanto desafinada e sem a corda de SI, desperta em MIm o gosto doce do mel do amor e o sabor enigmático e prazerozo do pecado. Parem o rufar dos tambores! Abafem o som das trombetas antes que venham os cavaleiros do apocalipse, porque o que era vazio virou esperança e o que era saudade virou você. Faço-me órfão do destino e giro a ampulheta da vida. Começo tudo de novo, começo agora. Deixe que o relógio e seus ponteiros formem a figura que quiserem, pois eu sou rei do meu tempo, eu sou o senhor dos meus dias. E vc ? Bom, você é o vento que empurra as velas do nosso tempo para onde o tempo nos leve sem que nos leve o amor que nos une. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 00h13
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