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De olhos bem fechados
Traços velhos de um novo lápis não reescrevem uma velha história de um amor iminente. Pobre papel branco, indefeso só lhe resta absorver o carbono espalhado por digitais desastrosas que tentam de todas as formas salvar escrevendo o que passou a noite toda a aniquilar falando. Finitas, porém não menos ferozes, são as palavras que mostram o quão medíocre é o ser humano diante de uma situação clássica de amor incondicional. Só que o mesmo papel branco, aceita tinta de pena. E tenho pena. A pena para quem destrói qualquer intenção de amar, é o passo seguinte na direção do cume da montanha de erros, onde o próximo passo remete-o ao abismo do ódio. O réu é punido ao extremo. No tribunal do amor, o juiz é implacável. A pena do mortal que o afronta, é prisão perpétua dentro de si mesmo, vivendo no ostracismo da eternidade a vagar no meio do nada desviando-se das agonias da solidão e lacrimejando o mesmo sangue grosso e fedido que um dia se desprendeu das feridas que causara. Já minha pena foi te esperar demais. Deixei que teus olhos transitassem por muito tempo perto de mim, e os meus, cegos, não os perceberam. Mas a vantagem de não enchergar, é deixar que o futuro projete uma foto de nossos olhos bem fechados e de nossos lábios bem juntinhos.
Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 00h32
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