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Guardiões brancos de um corpo sem espaço
Advogado do diabo eu fui. Impetrei contra mim mesmo todos os adjetivos nefastos que jorraram contra ti, defendendo-a de si mesma como se isso me auferisse algum tipo de reciprocidade positiva garantida. Tolo eu fui. Eu sou. Na verdade eu era. De advogado eu estou tão mais distante quanto do diabo que nunca vi e o desprazer do fato não atrai este corpo sadio quanto às coisas do invisível. Invisível eu sou. Parte pela ausência de mim mesmo, fruto da inexperiência dos acasos da ousadia de amores inalcançados. A outra parte eu ainda não descobri em que ponto me fere, mas fere. Carregar chagas de decisões reprováveis nunca foi um fardo que suportei nesta vida; meu sangue coagula antes mesmo que a primeira gota enxergue o lado de fora da veia que o nutre. Se você era algo que circulava dentro de mim, em meu coração, já foi bombeada para o resto do corpo e coagulou antes mesmo de ser livre, e quando o foi, saiu na forma de pus, expelida, jogada pra fora pelos meus guardiões brancos, corpo estranho que sempre foras dentro de um espaço que não te cabias. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 23h09
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Energias e suas nuances
Um choque de ondas, no mar ou nas linhas de rádio, duas bolhas formadas numa taça de champagne, tocam-se e a energia formada é bem maior que a vã percepção auricular pudesse torná-la mais nobre, porém os íons envolvidos nas rupturas das moléculas envolvidas, se pudessem, prefeririam continuar sendo bolhas, água ou vento. Explode em si na esperança de que a expansão de seus resíduos signifique a vivência na eternidade. Como o espaço. Reduzidas a qualquer ponto mínimo desses que acontecem ao tempo todo a nossa volta. Já imaginou a teoria do "big bang" aplicada a todos esses detalhes? Da impercepção em que esses elétrons desprendidos da última camada de ligação com o centro de seus átomos, em constante busca do melhor de todos eles e todos nós juntos caminhando em constante desprendimento e expansão para tudo o que há de melhor em todos nós. Fazer-me-ia mais crédulo de que algo superior nos governa como um grande centro de energia, controlando nosso tempo e espaço e nos unindo todos para o mesmo fim. Assim, as moléculas e seus agregados que partem comigo agora, não serão as mesmas que partirão com um recém nascido desta geração e assim por diante num movimento constante e harmônico num eterno ciclo de repetições pré-definidas. Ainda bem que fazemos parte da mesma turma, dessa mesma geração, quando nossos lábios se tocarem as ondas que emanarem desse feito, grandes ou pequenas, velozes ou lentas, sabemos que nos levarão juntos ao mesmo lugar, o qual todos um dia esperam chegar. Um lugar qualquer que se chame Paraíso e que a infinitude nos aguarde mesmo com toda a volatibilidade dos átomos que o formaram. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 17h15
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