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Longe de tudo e ainda mais perto de nós
Olhos flamejantes fixam pontos díspares de uma tela de computador velha no purao de um lugar qualquer - a esmo - perto de tudo que é longe demais para um subtefúrgio de liberdade. Os alísios que entram por entre as frestas da velha porta de madeira pesada, repleta de cupins cujo intento não se faz resultado, adicionam ainda mais poeira àquele velho canto do mundo onde algumas decisões são tomadas mediante meros toques nas teclas do velho AT, e comandos rasos em rádios que se achavam erradicados pela guerra segunda. De quando em quando o monitor, já tomado pelo desgaste do tempo e ranhuras da vivência, troca suas cores de apresentação fazendo do digitador um insólito camaleão robotizado pela repetição de ações e movimentos. As caixas de bateria de automóvel, impilham-se pelas paredes irregulares do rochedo. O bater na porta é como sirene aos ouvidos do cabo que de pronto se faz presente à porta aberta e, lança à cabeça, a mão direita em continência ao velho soldado de maior escalão. A conversa foi curta mas prontamente entendida. Lá fora um barulho de pneus ardentes de um jeep que abandonara o local abruptamente, e lá dentro, um comando codificado no velho rádio amador e uma combinaçao de teclas que fizeram o homem estalar os dedos como se convicto da maior ação de sua vida. Algumas horas depois, o próprio rádio trazia notícias de prédios que desmoronavam no centro de Nova York, e noutra frequência, a rádio Aljazira dava ouvidos ao homem que se intitulava senhor do crime. Cheio de sorrisos e poucos dentes, o homem se levantava, abandonava seu posto e caminhava no deserto. Para trás somente o forte estrondo e uma velha caverna pegando fogo jorrando aos ventos emoluentes de fétidos odores e escolhas sombrias. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 02h09
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Mente fechada
Pensamentos vazios em noite de lua cheia, é prenúncio de ocorrências levianas sobre algo desconhecido, inflando paranoias perpetuadas pelo efeito dos ilícitos. Vãs expectativas assombradas pelo curto prazo do efeito. Não acharia a felicidade dentro de uma garrafa de vodka, mas a desculpa do delito se esconde nos arrependimentos da época em que a sanidade lhe era peculiar e suas atitudes não terminavam em noites mal dormidas. Facilitaria o fato de seu discernimento ser tão eficiente quanto ao de um velho paraplégico fruto do desastre de Chernobyl? Muito pouco provável. Some-se a isso a cólera advinda do amor despedaçado, passado, presente ainda em sua mente, doente, infelizmente, fechada. Aberta ainda a esses devaneios de agora, divertindo-se com risadas absurdas e dançando loucuras sobre cacos de vidro quebrado das mesmas garrafas que havia secado. Kiko Casotti
Escrito por Kiko Casotti às 14h36
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