Quem me dera tê-la visto na multidão do anonimato dos dias, dentre várias personalidades distintas e belezas tantas quanto. Ouviria dos pássaros, a mesma melodia imperceptível de momentos a esmo do cotidiano desprezível dos ponteiros do relógio. Continuaria sonhando com acasos fortuitos ou sortilégios questionáveis e acordaria várias vezes durante a noite tentando lembrar o que realmente vivi. Mas não, identifiquei você dentre fotos intermináveis de beleza de igual adjetivo; fotografo na mente olhares perfeitos cujo efeito direto é scannear meus pensamentos mais recôndidos e que me ruboressem a cada intento. Escuto melodias de pássaros como se árias de Beethoven no momento em que adormeço. Os súbitos despertares nos sonhos contínuos, trazem a certeza de sua imagem e a certeza ainda maior de minha paixão. Fechar os olhos, em qualquer momento, é vê-los aproximando dos meus num harmônico fechar dos mesmos e sentir que seus lábios são tão doces quanto à inadvertida maneira de fazer-me infinitamente feliz enquanto dura este toque fotografado pela lua cheia do momento, e presenciado pelas estrelas brilhantes que são testemunhas de amor eterno.