Sob o prisma de março, vejo um dezembro tão próximo como o último janeiro. Feroz é o tempo que propaga seus tentáculos sobre coisas que ainda nem vivemos. Lógica quântica de momentos medrosos. Não fui capaz de segurar o dia em que a noite fechou sobre mim, uma coberta com seu cheiro. Medo algoz de um sentimento pueril. Minha idade é injusta frente ao pouco que vivi. Resolvi crescer quando o relógio saltou de minha puberdade para hoje de manhã. Senti falta do café cheiroso de meu pai e do afago carinhoso de minha mãe. Atentei-me para o fato de que viver só e longe, torna os ponteiros muito mais astutos e fulgazes. Amordaçado pelo tempo sinto o vento bater-me a fronte relembrando as noites que não vivi, julgando cedo a demora de meus atos. "O tempo não para" na voz de Cazuza e nas atitudes daquela menina, que achei que era minha. Mas nossos tempos são os mesmos e ela não fez questão de esperar. Eu sei que eu valio a pena, mas dá pena...Pensamentos corretos enclausurados em uma mente estreita.